Cineclube Histórias do Cinema

16/03 - Cidade das Ilusões

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Sinopse: Dois boxeadores profissionais são afetados quando suas carreiras começam a tomar um impulso oposto. | Direção: John Huston | Roteiro: Leonard Gardner | Elenco principal: Stacy Keach, Jeff Bridges e Susan Tyrrell | Duração: 97 minutos | País: EUA | Título original: Fat City | Título no Brasil: Cidade das Ilusões | Ano: 1972


Nesta sessão do Cineclube Histórias do Cinema vamos assistir ao filme Cidade das Ilusões, dirigido por John Huston. O encontro virtual para debater o filme acontecerá no dia 16/03/2026 às 20h.

Sobre o filme

Cidade das Ilusões é uma obra-prima da Hollywood da década de 1970 que hoje está um pouco esquecida. A recepção entusiasmada no Festival de Cannes e a indicação de Susan Tyrrell para o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante não foram suficientes para atrair os holofotes que o filme merecia. Seu diretor, o também ator John Huston, talvez seja mais lembrado entre nós pelo seu papel em Chinatown (1974), dirigido por Roman Polanski. Mas Huston era bastante conhecido em Los Angeles como diretor: assinou a realização de 39 filmes, 26 dos quais antes de Cidade das Ilusões.


79oyjjqd2m391 John Huston (esq.) contracenando com Jack Nicholson (dir.) em Chinatown (1974)


Há um livro de contos de Hemingway — cujo título, Winner Take Nothing, bem poderia servir ao filme de Huston — no qual podemos ler todos os tipos de Cidade das Ilusões. O mais misterioso destes contos chama-se The Light of The World: dois jovens, Nick e Tom, observam um grupo de prostitutas e desvalidos numa estação de trem. Subitamente, duas mulheres são atingidas pela luz do mundo. E esta luz é o amor. Que dizer dos protagonistas de Cidade das Ilusões, Billy e Ernie, senão que foram atingidos pela luz do mundo? Há uma rachadura em tudo, e é assim que a luz entra. É porque estão quebrados que Billy e Ernie podem ser atingidos pelo amor.

Como funciona?

Somos um cineclube online. Para participar desta sessão, solicitamos uma contribuição de R$ 20, que deve ser realizada para a chave PIX (11) 942423312. Após o pagamento, envie o comprovante para o e-mail as.historias.do.cinema @ gmail.com ou clique aqui para enviar através do WhatsApp. Junto com o comprovante, informe seu endereço de e-mail para receber nossa confirmação. Você receberá uma cópia do filme para assistir no seu tempo e o link para se juntar ao nosso encontro virtual.

Quem pode participar?

Qualquer pessoa interessada. Não é obrigatório falar durante o encontro. Se preferir, você pode entrar apenas para ouvir.


Como subsídio adicional ao debate do filme, reproduzimos abaixo texto do crítico espanhol Miguel Marías, publicado na revista "Casablanca" nº 35 (novembro de 1983). Agradecemos a Rodrigo Dueñas e Carlos Cano por o terem disponibilizado. A tradução para o português é nossa.


"Este filme, provavelmente o melhor de Huston, conta a história de um punhado de sobreviventes para os quais o tempo está se esgotando. Todos experimentaram esse terrível e vertiginoso momento em que se revela a eles que nunca chegarão a nada, nem sequer a descansar; não encontrarão um canto estável ou uns braços seguros nos quais se refugiar permanentemente. Não lhes resta esperança, nem sequer resistência para aguentar, estão arrasados, mas a inércia os impulsiona a continuar tropeçando, a novos encontrões: num bar, numa cama, no ringue...

Contam com a simpatia de seu diretor, e sabem conquistar a do espectador, que não pode se subtrair à preocupação que sente por eles, embora tampouco confie em seu futuro. Algo flutua no ambiente do filme que nos indica que já nada tem solução, que nem Orna (Susan Tyrrel) nem Billy Tully (Stacy Keach) têm remédio, que Ernie Munger (Jeff Bridges) não será um campeão. Talvez seja a luz, o ritmo que Huston imprimiu a cada cena, ou a terrível autenticidade das brigas alcoólicas entre Orna e Billy, que podem compartilhar um copo e um leito, mas não mais que isso, e nunca por muito tempo. Tudo é passageiro, e está minado. Não há saída.

E, apesar de tudo isso, não é um filme tão pessimista como parece. Há um vigor, uma generosidade, uma serenidade por parte do diretor, que impedem que 'Cidade das Ilusões' se converta em lamento queixoso ou denúncia esquemática da sociedade. Huston reconhece que seus personagens estão condenados à solidão e ao fracasso, mas não sente por eles compaixão nem desprezo; nem sequer cai na tentação de mitificar sua derrota: não é o sucesso ou a condição de perdedores o que lhe importa, mas sim a grandeza, a humanidade que, cada um à sua maneira, com suas falhas e limitações, demonstram. Sem dúvida, Huston conheceu e amou pessoas reais que se pareciam aos personagens de Leonard Gardner e quis prestar-lhes uma modesta homenagem."


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